04 de Outubro, 2026
Por Carol Garden
8 anos na beleza: o que a prática me ensinou e que nenhum curso me ensinou
Tempo de leitura 5 minutosDepois de 8 anos trabalhando com beleza, compartilho aprendizados que vieram da prática: atendimento, processos, regras, compras, clientes e os erros que também fizeram parte da minha jornada.
Quando comecei a trabalhar com beleza, eu tinha uma preocupação muito parecida com a de muitas profissionais que estão começando: aprender a fazer bem o meu trabalho.
Eu queria aperfeiçoar a técnica, conhecer os produtos, atender bem e, claro, conquistar minhas primeiras clientes. E isso realmente importa.
Mas, depois de alguns anos atendendo, eu percebi que existe uma parte enorme da profissão que a gente só começa a enxergar quando já está vivendo a rotina.
Eu descobri que ser uma profissional da beleza não é passar o dia inteiro fazendo procedimento.
Existe tudo o que acontece antes, o que acontece durante e tudo o que continua depois que a cliente vai embora.
Foi vivendo essa rotina que aprendi algumas das coisas mais importantes da minha profissão.
1. Eu aprendi que o atendimento começa antes da cliente chegar
Hoje isso parece óbvio para mim, mas não era algo que eu enxergava dessa forma no começo.
Com o tempo, percebi que a experiência da cliente já começa quando ela manda a primeira mensagem.
A forma como eu respondo, as informações que ofereço, a facilidade para entender como funciona o meu atendimento, a maneira como apresento meus horários e minhas regras... tudo isso já está comunicando alguma coisa sobre o meu trabalho.
E não estou falando de escrever mensagens extremamente elaboradas, estou falando de não deixar a cliente tentando descobrir sozinha como funciona o meu serviço.
Se eu percebo que toda cliente precisa me perguntar as mesmas cinco coisas antes de conseguir agendar, talvez exista uma informação que poderia estar mais clara no meu processo.
2. Eu descobri que uma boa técnica não resolve tudo
Durante muito tempo, concentrei praticamente toda a minha energia em melhorar o procedimento.
E é natural que seja assim, a gente quer fazer melhor, entregar um resultado bonito, conhecer cada vez mais os produtos e se sentir segura com aquilo que está fazendo.
Só que chega um momento em que eu percebi que uma cliente não avalia apenas o resultado final.
Ela percebe se eu estou preparada, se o ambiente está organizado, se eu cumpro horários. Percebe se eu explico o que estou fazendo, se existe cuidado antes, durante e depois e se eu transmito segurança.
O procedimento continua sendo essencial para mim, mas aprendi que ele não acontece isoladamente.
3. Eu percebi que algumas dores se repetem porque não existe um processo
Essa foi uma das coisas que mais fez diferença na minha forma de trabalhar.
Quando um problema acontecia uma vez, eu resolvia. Quando começava a acontecer toda semana, eu aprendi a parar e olhar para a forma como aquilo estava sendo feito... cliente que esquecia o horário, confusão com pagamento, atraso, cancelamentos, orientação que eu esquecia de passar.
Eu percebi que, quando tudo depende da minha memória, acabo gastando energia com coisas que poderiam estar organizadas de outra maneira.
E processo não precisa significar uma empresa enorme, cheia de planilhas e burocracia. Para mim, muitas vezes, processo foi simplesmente decidir:
é assim que eu faço.
E repetir isso de forma organizada.
4. Eu aprendi que nem toda oportunidade de faturamento está em conseguir uma cliente nova
Essa é uma percepção que veio muito da prática.
É muito fácil olhar para uma agenda vazia e pensar: “Preciso de mais clientes.” Mas, antes disso, eu aprendi a observar o que acontece com as clientes que já chegam até mim.
Ela volta? Eu sei quando ela deveria voltar? Eu converso sobre o retorno e tempo de manutenção? Ela conhece outros serviços que fazem sentido para ela? Eu acompanho o pós-atendimento? Ela tem vontade de me indicar?
Não estou falando de oferecer qualquer coisa para qualquer pessoa, até porque, para mim, isso rapidamente deixa de ser cuidado e começa a parecer insistência.
Estou falando de perceber necessidades que já existem, aprender a trabalhar melhor com elas e antecipar o desejo.
5. Eu aprendi que comprar também faz parte de administrar o negócio
Quem trabalha com beleza sabe como é fácil encontrar alguma coisa e pensar: “Isso seria tão útil no meu espaço.” Eu mesma já fiz isso muitas vezes.
Só que uma compra pequena aqui, outra ali, vai se acumulando.
E, quando percebi, tinha dinheiro parado em produto, material ou objeto que não necessariamente trouxe retorno para o meu negócio.
Com o tempo, comecei a olhar para as compras de outra maneira.
Antes de comprar, passei a me perguntar:
Eu realmente preciso disso?
Com que frequência vou usar?
Isso melhora meu atendimento?
Existe uma opção mais adequada?
Quanto isso representa dentro dos meus custos?
Aprendi que nem sempre a melhor compra é a mais barata, e nem sempre é a mais bonita. É a que faz sentido para aquele momento do meu negócio e que beneficia de alguma forma, a minha cliente.
6. Eu entendi que as regras também fazem parte da experiência
Essa é outra coisa que pode gerar desconforto no começo.
Eu estabelecia uma regra e ficava com medo de parecer chata... então abria uma exceção, depois outra.
Até perceber que a própria regra já não existia mais.
Também entendi, na prática, que regra não precisa ser sinônimo de rigidez.
Quando uma regra existe por um motivo e é comunicada com clareza, ela ajuda a organizar a relação entre profissional e cliente, ambas ganham.
Horário, atrasos, cancelamentos, pagamentos, acompanhantes, encaixes... Não precisei criar uma lista enorme de proibições.
Aprendi a deixar claro como o meu atendimento funciona, e me adaptei quando era necessário.
7. Eu percebi que existem coisas que só aprendi depois de errar
E talvez essa seja a parte mais importante e dolorida de todas.
Nem tudo que aprendi veio de um curso, algumas coisas vieram de situações que eu preferia não ter vivido.
De uma cliente que me fez pensar, uma compra que eu não faria novamente, um atendimento que poderia ter sido conduzido de outra maneira, perceber que determinada forma de trabalhar estava me deixando cansada.
Essas experiências também são conhecimento.
E talvez seja justamente por isso que eu tenha decidido voltar a falar sobre esse assunto.
Hoje estou vivendo uma pausa na minha rotina profissional, mas esses oito anos não ficaram para trás.
Eu ainda tenho tudo o que vivi, aprendi e construí nesse período.
E quero começar a compartilhar essas coisas por aqui, talvez alguma delas seja exatamente o que você precisava perceber no seu próprio atendimento.
E para começar...
Preparei um material simples para você fazer uma primeira análise do seu atendimento.
Não é uma lista para você marcar e esquecer.
A ideia é parar alguns minutos e olhar para coisas que fazem parte da sua rotina todos os dias, justamente por isso, talvez você nem perceba mais.
BAIXAR O MATERIAL GRATUITO
Depois de preencher, volte para o seu atendimento e veja se alguma resposta mudou a forma como você enxerga o seu negócio.
Às vezes, a primeira mudança não está em fazer mais, está em perceber melhor o que já está acontecendo.
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!